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Buscas com IA reduzem em mais de 95% o tráfego para sites, aponta estudo

O crescimento da Inteligência Artificial (IA) vem mudando a forma como as pessoas consomem informação — e já começa a afetar diretamente os modelos de negócio de veículos de mídia. A investigação do Google conduzida pelo Cade na última quinta-feira (23) reforça esse debate, em linha com o relatório State of the Internet, da Akamai, que aponta queda no tráfego para sites e pressão sobre receitas vindas de publicidade, assinaturas e paywalls.

De acordo com o estudo, a oferta de respostas prontas por assistentes de IA diminui a necessidade de o usuário acessar as páginas originais. Os dados mostram que chatbots geram cerca de 96% menos tráfego de referência em comparação com buscadores tradicionais, e apenas 1% dos usuários clicam nos links das fontes indicadas.

Bots ampliam o impacto

O relatório também destaca o avanço do tráfego automatizado. Em 2025, a atividade de bots ligados à IA cresceu 300%, sendo o setor de mídia um dos mais afetados — concentrando 13% desse volume global. Dentro desse cenário, publishers representam aproximadamente 40% da atividade.

Boa parte desse tráfego está associada ao uso de scraping, técnica de coleta automatizada de dados. Esse conteúdo é reaproveitado por plataformas de IA para gerar respostas diretas, o que reduz a audiência dos sites e impacta tanto a monetização quanto a visibilidade.

Entre os diferentes tipos de bots, os chamados training crawlers correspondem a 63% da atividade no setor e são utilizados para treinar modelos de IA. Já os fetchers, que representam cerca de 24%, coletam informações em tempo real para responder às consultas — com efeito mais imediato sobre o tráfego, especialmente no caso de notícias.

Transformações no consumo digital

Esse cenário aponta para uma mudança relevante no consumo de conteúdo online, marcada pela queda no engajamento e maior pressão sobre os modelos tradicionais de receita.

Diante disso, empresas de mídia passam a buscar alternativas, como acordos de licenciamento e novas estratégias para monetizar o acesso automatizado. A recomendação da Akamai é investir em ferramentas de monitoramento e controle de bots, em vez de bloqueá-los completamente, como forma de equilibrar visibilidade e novas oportunidades de receita.

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