O agronegócio já não se discute apenas a partir da produção. Tecnologia, inteligência de dados, transição energética, sustentabilidade, qualificação profissional e novas formas de relacionamento com o consumidor passaram a fazer parte de uma mesma conversa. Essa mudança de perspectiva esteve presente no GAFFFF 2026, realizado nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque, em São Paulo.
Em sua terceira edição consecutiva na capital paulista, o Global Agribusiness Festival reuniu mais de 30 mil participantes e estruturou a programação em quatro experiências: conteúdo, feira de negócios, gastronomia e entretenimento. Ao longo dos dois dias, o público teve acesso a mais de 35 painéis e mais de 100 palestrantes, com discussões sobre temas que atravessam diferentes etapas da cadeia do agronegócio.
Entre os assuntos presentes na programação estavam tecnologia e transformação digital, inovação, sustentabilidade, clima, produção, competitividade, mercados e estratégias. Um dos painéis, por exemplo, discutiu o uso de tecnologias financeiras e novas soluções para produtores rurais. Em outro momento, especialistas abordaram eficiência e precisão na produção de grãos, relacionando dados, tecnologia e tomada de decisão no campo.
A diversidade de temas ajuda a explicar como o setor vem incorporando novas competências. A agricultura de precisão, a eletrificação, as soluções financeiras digitais e o uso de dados deixam de ser assuntos restritos a especialistas em tecnologia e passam a integrar decisões diretamente relacionadas à produtividade e à competitividade.
Essa transformação também muda a relação entre campo, empresas e instituições de ensino. À medida que novas ferramentas chegam às propriedades e aos processos produtivos, cresce a necessidade de profissionais preparados para trabalhar com tecnologia, gestão, análise de dados e inovação.
O debate apareceu de diferentes maneiras durante o festival. A programação dedicou espaço tanto às tecnologias aplicadas à produção quanto à formação de conhecimento. O painel “Semear Conhecimento, Colher Resultado”, por exemplo, reuniu representantes ligados à educação e ao setor produtivo para discutir a relação entre conhecimento e desenvolvimento do agronegócio.
A discussão ganha relevância em um setor que precisa lidar simultaneamente com aumento de produtividade, mudanças climáticas, exigências ambientais, abertura de mercados e transformação dos hábitos de consumo. Nesse cenário, a formação profissional deixa de acompanhar apenas as mudanças do mercado e passa a ser parte importante da própria capacidade de inovação.
Outro eixo importante do GAFFFF foi a aproximação entre diferentes segmentos. Produtores, empresas, pesquisadores, especialistas, startups e representantes do poder público dividiram os espaços do evento, criando um ambiente em que questões técnicas se encontraram com negócios, comunicação e cultura. A proposta do festival foi justamente ampliar o olhar sobre o agro, indo além da atividade produtiva e mostrando sua presença em diferentes dimensões da economia e da sociedade.
Ao colocar esses temas no mesmo espaço, o GAFFFF mostrou um agronegócio cada vez mais conectado a áreas como tecnologia, energia, finanças, comunicação e educação. Mais do que apresentar soluções já disponíveis, os debates apontaram para um setor que precisa desenvolver novas competências para responder aos desafios dos próximos anos.
A programação também reforçou que inovação no campo não depende apenas de máquinas ou ferramentas. Ela passa por pessoas capazes de interpretar informações, desenvolver soluções, administrar recursos e transformar conhecimento em resultados. É nessa interseção entre tecnologia, formação e mercado que se desenha parte importante do futuro do agronegócio.
