O jornalista russo e vencedor do Nobel da Paz de 2021, Dmitry Muratov, fez um duro alerta sobre os impactos da desinformação, dos algoritmos e do avanço de discursos autoritários durante participação no painel “Coragem e Liberdade: Histórias que Transformam”, no São Paulo Innovation Week 2026. Em conversa com o jornalista Caco Barcellos no primeiro dia do São Paulo Innovation Week, Muratov afirmou que “a mentira custa barato. A verdade custa vidas”.
O debate colocou em pauta temas como liberdade de imprensa, inteligência artificial, manipulação digital e direitos humanos. Cofundador do jornal Novaya Gazeta e perseguido pelo governo russo, Muratov defendeu que as plataformas digitais passaram a transformar medo, ódio e mentira em ativos lucrativos dentro da economia da atenção.
“Nosso principal produto hoje é a atenção, e os algoritmos aprenderam que o ódio e a mentira geram mais cliques do que a verdade”, declarou o jornalista ao discutir o funcionamento das redes sociais e o impacto da tecnologia sobre as democracias contemporâneas.
Durante a conversa, Muratov também cobrou mais transparência das grandes empresas de tecnologia. Segundo ele, algoritmos que influenciam eleições, reputações e comportamentos não podem operar sem supervisão pública. “Os algoritmos das redes sociais devem ser abertos e acessíveis. Caso contrário, nos tornamos objetos de manipulação”, afirmou.
Ao longo do painel, o Nobel da Paz relacionou o avanço da desinformação ao enfraquecimento dos direitos humanos e ao crescimento de regimes autoritários em diferentes partes do mundo. Ao abordar temas como guerra, censura e perseguição política, ele reforçou que a proteção da vida precisa voltar ao centro das decisões políticas. “Para os ditadores, o direito à morte é o importante. Para nós, o que importa é o direito à vida”, disse.
A participação de Muratov reforçou uma das principais propostas do SPIW: discutir inovação para além da tecnologia, incluindo seus impactos sociais, políticos e culturais. Em meio ao avanço da inteligência artificial e das disputas de narrativa no ambiente digital, temas como liberdade de expressão, jornalismo e democracia ganharam protagonismo no evento.
