Empresas brasileiras esbarram em desafios para expandir ao exterior, apesar de bom desempenho interno

Mesmo com crescimento consistente no mercado nacional, muitas empresas brasileiras ainda enfrentam obstáculos ao tentar expandir suas operações para fora do país. O movimento, que vem ganhando força nos últimos anos, revela tanto o potencial competitivo dessas organizações quanto a necessidade de planejamento estratégico mais robusto para atuar em mercados internacionais.

Dados da Associação Brasileira de Franchising mostram que o setor de franquias atingiu faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões em 2025, com alta de 10,5% em relação ao ano anterior. A presença internacional também avançou: o número de unidades de franquias brasileiras no exterior cresceu mais de 26% no mesmo período.

O cenário reforça o amadurecimento do mercado interno e indica que empresas brasileiras têm potencial para competir globalmente. Para especialistas, o momento é estratégico.

“Existe hoje uma janela de oportunidade muito clara para empresas brasileiras que querem expandir para fora”, explica Renato Alves de Oliveira, diretor de expansão e negócios da Bicalho Consultoria Legal. “O Brasil tem marcas consolidadas, modelos testados e capacidade de competir internacionalmente.”

Apesar disso, o bom desempenho no país não garante sucesso automático no exterior. Ainda que empresas consolidadas já tenham uma base importante, a adaptação a novos mercados é um fator determinante.

“Muitas empresas são eficientes no Brasil e isso é uma vantagem competitiva importante”, afirma o especialista. “Mas é preciso entender que cada mercado tem sua dinâmica. O sucesso vem quando a empresa consegue adaptar o que já funciona a um novo ambiente.”

Entre os principais desafios, estão a definição do modelo de entrada no mercado internacional, a adaptação do negócio à realidade local, a estruturação jurídica adequada e o entendimento do comportamento do consumidor em diferentes países.

“Empresas que se preparam conseguem transformar a internacionalização em um grande motor de crescimento”, explica Oliveira. “Não é sobre começar do zero, é sobre evoluir o que já existe.”

O avanço das franquias brasileiras no exterior é um dos exemplos mais claros desse movimento. Redes que já operam com processos padronizados tendem a ter mais facilidade para replicar seus modelos fora do país — e devem continuar ampliando sua presença global nos próximos anos.

“O franchising brasileiro amadureceu muito e hoje já nasce, em muitos casos, com potencial global”, afirma. “Levar esse modelo para fora não é apenas uma expansão geográfica, é uma forma de escalar o negócio com mais eficiência.”

Outro ponto destacado por especialistas é a mudança de mentalidade dos empresários. A internacionalização deixa de ser uma alternativa em momentos de crise e passa a integrar o planejamento estratégico das companhias.

“Internacionalizar não é uma decisão de última hora, é uma decisão de crescimento”, destaca Renato Alves de Oliveira. “Empresas que pensam globalmente desde cedo conseguem construir uma presença mais sólida e sustentável.”

Em um cenário cada vez mais competitivo e integrado, expandir fronteiras se torna não apenas uma tendência, mas um diferencial relevante para empresas que buscam crescimento consistente.

“O empresário brasileiro já provou que sabe construir negócios sólidos”, conclui Renato. “Agora, o próximo passo é levar essa capacidade para o mercado internacional de forma planejada. Quem faz isso bem, cresce mais e com mais segurança.”